Estava lendo a revista Gloss deste mês e me deparei com um texto lindo, com uma temática meio adolescente, mas que vale a pena ser lido.
Trata-se de "Planeta eu", de autoria de Esmir Filho.
Saca só:
"Quando percebi, estavam todas amarelas. A primavera chegou sem eu ter dado conta que o solo já tinha sido rasgado. De longe não dá para notar. Mas, de perto, elas aparecem demais. Tudo que é visto muito de perto, perde seu encanto e mistério. As espinhas amarelas cobrem a minha cara e é uma pena que não posso chamá-las de flores.
Parei de chorar na frente dos outros na mesma época que comecei a chorar sozinho no meu quarto. Sinto o gosto salgado das lágrimas toda vez que elas chegam na minha boca, mas não sei dizer se é bom ou ruim. Talvez eu preferisse o gosto do Danoninho de morango congelado que insistia em chamar de sorvete quando era criança. Mas isso já faz tempo.
O chaveiro rosa escrito "identities" arrebentou-se do zíper de minha mochila e achei que foi um recado para mim. Lembrei de uma frase que li em algum blog: "Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo para sempre". Chego à conclusão de que crescer é se conhecer cada vez menos.
Hoje, o MSN apita, indicando que você entrou e espero feito idiota você me dar oi. É claro que você não diz nada. Eu digito "e aí?" e só fico imaginando você fechando a janela e me ignorando, antes de seu status mudar para "away". Gostaria de poder culpar as espinhas por isso, mas você nem sabe que elas estão aqui.
Ainda insisto em ler livros e ver filmes que me fazem pensar. Talvez seja o único da minha idade que gosta de fazer isso. Ou talvez seja mesmo de um planeta diferente, esperando para ser resgatado e então encontrar aqueles que se parecem comigo."
Lindo, não?
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